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Não é um elefante, mas a extinção que está na sala

Foto do escritor: Marcelo Cardoso
Marcelo Cardoso
9 de out. de 2023
3 min de leitura

 

Por Marcelo Cardoso para a Think Work


Para a Today, Marcelo Cardoso escreve sobre a importância do conceito da Metacrise para entendermos a urgência dos desafios que enfrentamos hoje como sociedade

A pergunta que eu estava falando no início, como se alguma dessas coisas importam, eu diria que o feed da sua mídia social vai continuar mostrando o mesmo e os seus boletos vão continuar a chegar, e a mídia continuará mostrando as coisas que eles acham que estão erradas, e suas obrigações existenciais continuarão a pressionar você… e que você não será capaz de se dedicar a isso (metacrise) de memória e sozinho.


Você terá que mudar o feed do que está chegando à sua consciência, daquilo que vem à sua consciência todos os dias… então coloque o podcast de Nate (Hagens), coloque o trabalho de outras pessoas que estão te acordando ou te lembrando de como as coisas são. Coloque essas coisas em seu feed diário de alguma forma, porque todos nós somos a média das cinco pessoas com quem passamos mais tempo, e nossa consciência é influenciada pelo que estamos prestando atenção. 


Mude quem está ao seu redor e altere o feed de informações que chega até você de forma que o que é mais verdadeiro e significativo é aquilo de que você mais se lembra. Se puder literalmente começar esta noite, pensando em quem você conhece que te lembra dessas coisas que você pode começar a passar mais tempo, e a trocar mensagens. Pense que coisas você pode excluir do seu telefone, quais aplicativos sociais você pode simplesmente excluir, quais novos você pode adicionar. Assim é uma coisa prática que você faz, que é condicionar a sua consciência continuamente a estar alinhada com o que é mais real.”


A mensagem da Metacrise não se trata de um alarmismo vazio para assustar e vender alguma solução fácil. É um apelo a não nos deixarmos nos distrair e deslumbrar por aquilo que já estamos fazendo em nossas organizações e projetos. Por maior que seja a escala e as boas intenções dos que estamos inventando no campo da sustentabilidade e do impacto de hoje, ainda assim tem o efeito de um band-aid numa fratura exposta, e nem de longe endereçam os desafios das dinâmicas subjacentes aos problemas globais.

A Metacrise é um convite a não nos acomodarmos na busca por entendimento profundo e por soluções coletivas mais assertivas que ainda nem podemos conceber, é um imperativo de aprendizagem constante.


Da mesma forma que esse conceito entrou em cena em nosso modelo, nos últimos anos também têm surgido a grande importância da criação de comunidades regenerativas, como fator de sucesso, meio e fim de nossos projetos e programas, e que foi o tema que explorei em meu último texto.


Quando nos aprofundamos no desafio que é entender essas dinâmicas que geram o estado atual do mundo, inevitavelmente somos arremessados em uma espécie de crise existencial, e aí que entra a importância das comunidades, como um campo de segurança e desenvolvimento pessoal, como um tecido resiliente que põe em prática projetos pilotos em governança compartilhada e autogestão, que nutre ecossistemas de negócios que testam outras lógicas e outros mecanismos de incentivo, todos estes passos necessários, mas ainda não suficientes, para seguirmos juntos nessa jornada de descoberta.


Marcelo Cardoso é fundador da consultoria Chie e presidente do Instituto Integral Brasil

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